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23.10.2017
Exposição “Dr. Pacheco – A Metrópole do Mal, de Rafael Augustaitiz”

Exposição sobre a arte do pixo reunirá 20 obras entre ​vídeos, fotos, gravuras e pinturas; abertura é dia 30 de outubro às 19h30

A Escola da Cidade abre, no dia 30 de outubro, a exposição “Dr. Pacheco – A Metrópole do Mal, de Rafael Augustaitiz”, apresentando 20 obras, entre elas vídeos, fotos, gravuras e pinturas do artista sobre a arte do pixo.

Nas palavras do curador da exposição, Laymert Garcia dos Santos,

“Rafael Augustaitiz é um artista rebelde – coisa rara nesta época conturbada em que predominam o medo, o controle e o politicamente correto”. Segundo Laymert, radical porque vai na raiz da criação estética, que é criação de mundo. Rafael mantém ao longo dos anos rigorosa coerência. Sua trajetória é regida por um princípio que perpassa tudo o que cria: a transgressão à ordem estabelecida, em vários planos de nossa existência social e individual.

 

Artista da periferia, sua primeira transgressão é espacio-temporal nutrida pela recusa e pela ruptura com o ideal dominante de cidade, mais especificamente de São Paulo. Assim, à neoliberal Cidade “Limpa” ou “Linda”, Rafael contrapõe, não a simples pichação, mas a arte do pixo.

 

Introdutor da pintura, em vez do spray, nessa modalidade de expressão, ele se apropria da arquitetura e do urbanismo paulistanos para assinar na superfície cinza a marca do demoníaco e da desordem: Opus 666. Sua palavra-de-ordem é Arte como Crime Crime como Arte, escrita vertiginosamente na fachada do arranha-céu.

 

Foi nessa primeira transgressão-apropriação que o artista viveu seu batismo de fogo. O anúncio de que o maldito está na cidade, emergindo de sua periferia, de seu avesso, prenunciou outras intervenções estético-políticas concebidas, com outros protagonistas do pixo, agora contra o sistema de arte. Deu-se então a pichação da Escola de Belas Artes, de uma galeria de street art, de grafites decorativos nas avenidas e, enfim, da própria Bienal de São Paulo.

 

A arte do pixo de Rafael não consiste, portanto, numa inscrição narcisista ingênua e pobre na paisagem urbana. Trata-se de uma transgressão-apropriação em escala mega, que interpela os cidadãos tanto no espaço público da cidade, quanto nos circuitos fechados das instituições de arte. Em resumo: trata-se de levar para as ruas e outros espaços a lição de Marcel Duchamp.

 

“Com efeito, se há um artista contemporâneo brasileiro coerente com a lógica inaugurada por Duchamp, esse artista é Rafael Augustaitiz. A arte do pixo não aponta apenas para a apropriação do urbanismo e da arquitetura – o que já seria muito – mas também para a apropriação de uma simbologia místico-religiosa (o Pentagrama Invertido e o 666, o nome da Besta no Apocalipse), e de signos-chave da História da Arte (o Cristo de Velásquez, o autorretrato de Michelangelo na Capela Sixtina, a Mona Lisa, apropriada de Leonardo por Duchamp e apropriada da apropriação por Rafael…)”, diz Laymert.

> Manifesto por Rafael Augustaitiz:

 “Não faça Terrorismo Poético para outros artistas, faça-o para aquelas pessoas que não perceberão (pelo menos não imediatamente) que aquilo que você fez é arte. Evite categorias artísticas reconhecíveis, evite politicagem, não argumente, não seja sentimental. Seja brutal, assuma riscos, vandalize apenas o que deve ser destruído, faça algo de que as crianças se lembrarão por toda a vida – mas não seja espontâneo a menos que a musa do Terrorismo Poético tenha se apossado de você. Vista-se de forma intencional. Deixe um nome falso. Torne-se uma lenda. O melhor Terrorismo Poético é contra a lei, mas não seja pego. Arte como crime; crime como arte”, Hakim Bey.

Esta Exposição é parte da programação da 11ª Bienal de Arquitetura de São Paulo

Gratuito e aberto ao público

SERVIÇO 

Exposição “Dr. Pacheco – A Metrópole do Mal, de Rafael Augustaitiz” 

  • Período: 30.10 a 20.11
  • Horário de visitação:

Abertura: 30.10, às 19h30
Demais dias: segunda à sexta, das 10h às 20h / sábados e feriados, das 10h às 14h

  • Local: Escola da Cidade – Rua General Jardim, 65