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28.11.2017
07.12: Lançamento do livro “Contracondutas Ação Político-Pedagógica” 

No dia 7 de Dezembro (quinta-feira), a partir das 19h, o projeto Contracondutas chega à sua conclusão com o lançamento do livro Contracondutas Ação Político-Pedagógica, a exibição do documentário Terminal 3, produzido pela Papel Social, e o debate entre os convidados Leonardo Sakamoto (Jornalista e Diretor da ONG Repórter Brasil), Marcus Menezes Barberino Mendes (Juiz Federal do Trabalho do TRT 15), Carlos Alberto Bezerra Junior (Médico, Deputado Estadual – PSDB e Presidente da Comissão de DH da Assembleia Legislativa de SP), com mediação de Ciro Pirondi, arquiteto e diretor da Escola da Cidade. Acontece na Casa do Povo (Rua Três Rios, 252, Bom Retiro, São Paulo).

O projeto Contracondutas foi desenvolvido no âmbito do Conselho Técnico da Escola da Cidade como projeto de reparação coletiva indireta. Contracondutas busca responder com diversas ações político-pedagógicas, a parte das questões abertas pela fiscalização e flagrante de situações relacionadas ao trabalho análogo a escravo em uma grande obra em Guarulhos, o Terminal 3 do Aeroporto Internacional.

Assim, por decisão do Ministério Público do Trabalho de Guarulhos, parte da verba do Termo de Ajuste de Conduta (TAC), endereçado à construtora OAS, foi destinada à Associação Escola da Cidade, para a elaboração de um projeto que problematizasse e impactasse o debate público sobre as grandes obras de infraestrutura, a migração e o trabalho análogo a escravo na contemporaneidade.

A escolha pelo nome Contracondutas se coloca como um posicionamento crítico e reflexivo, em relação ao termo conduta, trabalhado por Foucault a partir de Montaigne, para se referir a uma série de técnicas e procedimentos que funcionam para a condução de um conjunto de indivíduos. Interessa aqui o caráter ambivalente do termo, ressaltado por Foucault, já que uma determinada conduta implica em conduzir também a maneira como nos deixamos conduzir, como nos comportamos sob o efeito do ato condutivo.

Aplicado ao nosso campo disciplinar o termo coloca-se como necessária tomada de consciência e produção de conhecimento acerca dos sistemas e relações de trabalho, mapeando as condutas existentes, e para além disso, propondo “condutas outras” válidas como alternativas de ressignificação política a procedimentos normatizados no meio de atuação profissional em que nos situamos.

O projeto Contracondutas foi idealizado por uma equipe interdisciplinar de profissionais, com curadoria de Carol Tonetti e Ligia Nobre, de maio de 2016 a dezembro de 2017, e opera como dispositivo que atravessa diversas atividades didático-pedagógicas da Escola da Cidade – tais como o seminário de Cultura e Realidade Contemporânea, o programa de Estágios de Pesquisa Científica e Experimental, disciplinas regulares de Meios de Expressão que tratam das relações entre Arte e Arquitetura e o Estúdio Vertical –, ao mesmo tempo em que incorpora e provoca indagações acadêmicas, jornalísticas e artísticas, projetando-se em direção
 ao debate público do tema e de suas repercussões na cidade, nas relações sociais, na ocupação do território, nos fluxos migratórios, nas políticas públicas e nas produções culturais. Entre tais ações previu-se a realização de intervenções de interesse público como forma efetiva de envolver outros agentes nos debates e na proposição de atuações.

EXPOSIÇÃO E LANÇAMENTO
No âmbito da 11° Bienal de Arquitetura o projeto Contracondutas encontra um alinhamento às discussões propostas pela curadoria dessa edição, destacando os questionamentos acerca do projeto singular e a importância em se valorizar a articulação de agentes e processos capazes de expandir a ação do arquiteto,  somando e adensando as possibilidades de debates interdisciplinares junto da equipe da Casa do Povo no momento de sua conclusão.

A BaseMóvel, um dispositivo de mediação e práticas reflexivas do projeto – desenvolvido por Vitor Cesar junto da equipe do projeto e alunos do bacharelado em História da Arte da UNIFESP –  circulou por praças e espaços públicos de Guarulhos e ocupa agora o salão da Casa do Povo. Durante os meses de novembro e dezembro, além de acolher as atividades dos coletivos e equipe da Casa do Povo, serão propostas conversas e oficinas que retomam e inserem o debate sobre a imigração e o trabalho escravo no território do Bom Retiro.

No terceiro andar da Casa, a exposição Cumbica apresenta o resultado de uma expedição fotográfica que Tuca Vieira, realizou a convite dos editores do projeto Contracondutas para integrar a publicação Contracondutas Ação Político-Pedagógica.

O resultado impactante das fotografias panorâmicas que Tuca Vieira realizou durante expedição de bicicleta, que circundou os limites entre o Aeroporto de Guarulhos e a malha urbana de seu entorno, serão montadas em grande formato. Duas a duas,num total de seis, essas grandes fotografias ocupam três salas e propõe uma imersão nesse território descontinuado e desconhecido, que alternado à visão da metrópole, enquadrada pela arquitetura do terraço da Casa do Povo, reiteram a discussão proposta pelo urbanista Kazuo Nakano. Motivado por essa expedição,e em diálogo com o trabalho de Tuca Vieira, Nakano reflete sobre a relação entre os espaços lisos e estriados da metrópole como lugares ao mesmo tempo de tensão e potencial transformação.

Realizado por Helena Cavalheiro, o projeto de ocupação do terceiro andar da Casa do Povo pela ‘Exposição Cumbica’ estabelece um diálogo arquitetônico entre a produção do artista e o espaço que o acolhe, o 3° andar, antes restrito ao acesso do público.

SERVIÇO

Lançamento do livro “Contracondutas Ação Político-Pedagógica” 
Editores: Ana Carolina Tonetti, Ligia Nobre, Gilberto Mariotti e Joana Barossi. Editora da Cidade, 640pg
distribuição gratuita

Abertura da Exposição: “Cumbica”
Tuca Vieira

  • Data: 7 de dezembro, das 19h às 22h
  • Funcionamento da exposição:
    8 a 19 de dezembro de 2017
    16 a 27 de janeiro de 2018.
    Terça à sábado, das 14h às 19h.
  • Local: CASA DO POVO – Rua Três Rios, 252, Bom Retiro, São Paulo,